quinta-feira, 15 de julho de 2010

2 anos de Da Prosa à Poesia

Como de costume, nos aniversários do Da Prosa peço para que dois amigos escrevam em comemoração. Neste ano, teremos minha melhor amiga, Juliana Bragança, do blog Realidade Recortada, e meu professor, amigo, ex-jornalista da Folha, Renato Essenfelder, do blog Contos de Farpas. Celebremos com uma boa leitura.


Texto de Juliana Bragança





Recentemente, conheci um Ricardo, mas não é o Ricardo que vocês estão pensando. Esse Ricardo novo não é tão importante quanto o Ricardo antigo (que conheci a 2 anos e meio e, por isso, nem é tão antigo). Esse novo é do meu trabalho e só fui reparar que ele tinha o mesmo nome do meu amigo depois de algumas semanas de trabalho. Na minha opinião, o Ricardo novo não deveria se chamar assim porque ele não merece esse nome (e eu sei que não deveria falar mal desse Ricardo novo porque sabe como é a internet, né... vai que ele lê). Pra mim, quem se chama Ricardo realmente tem que ser especial, e por isso que esse será o nome do meu filho e por isso que o menino do trabalho não deveria ter esse nome, porque ele não é especial, pelo menos pra mim.


Mas esse texto não serve para falar de quão é importante o Ricardo antigo é, mas sim para comemorar os dois anos de vida desse blog! Tenho que dizer que dois anos é muita coisa! Minha sobrinha tem essa idade e da última vez que a vi ela aprendeu a palavra "temperatura" e ficava repetindo o tempo todo: "temperatura, medir a temperatura...". Mas, com absoluta certeza, esse blog já sabia o significado de temperatura como de outras muitas palavras que eu estou longe de conhecer, quanto mais minha sobrinha. Gostaria de deixar bem claro que minha sobrinha já sabe o que é ginástica, coluna e abotoar...


Nesse último ano, aconteceu algo totalmente inesperado com esse Da Prosa à Poesia, um comentário ácido foi recebido. No entanto, isso é pequeno se comparado a tantos elogios. Em um ato um tanto quanto duvidoso, o garoto com nome especial apagou o comentário. Minha mãe sempre me disse para elogiar em público e criticar em particular, mas nem todas as mães dizem isso aos filhos e muitas pessoas acabam por criticar em público. Pois bem, comentário deletado e a vida segue adiante, afinal, pra que serve aquela lixeirinha em baixo do comentário?


Dois anos é uma grande coisa, mas será pequena quando o Da Prosa completar 20, 30. Aí ele já estará mocinho e amadurecido. O tempo nos aperfeiçoa e aqui não será diferente, mesmo que não seja tão necessário.



Texto de Renato Essenfelder




Deanos


OS ANTIGOS GREGOS: acreditavam que o ato do nascimento era guiado por um espírito. Bom. Ou mau. Os aniversários marcados de maneira bem distinta da atual - mas lembrados. Como a época em que o espírito do Natal - ou Nada - se reaproximava. Ou seja: essencialmente aniversariar era muito perigoso; o guia revisitava o corpo e poderia dar; ou cobrar. Bastava estar vivo para.


Confrontar o O desconhecido. O. Cursos de rios que não se pode cavalgar; se princesa só de pôr os pés pode se afogar; mas. Também sertões.


Com flores. A CADA 30 DE abril Maria preparava um arranjo especial de flores [crisântemos], que João detestava, mas mais por devoção a... [dúvida que paira]. A festa era dela, afinal. Também algumas margaridas e cravos. Uma só , vermelha, ao centro. De tudo. Tudo ela deixava na própria porta por três dias, até que se murchassem descoloridas. Então jogava no lixo.


O corpo de João nunca foi encontrado. [Sônia apostou tê-lo visto num cruzeiro panamenho].


No aniversário de 6 anos Marina pediu uma casa de bonecas de duzentos reais. Vieram menos colegas que o esperado. Ela não deve ter percebido, nem deve. Tinha pipoca à vontade, doces e salgados. Os pais ficaram chateados. Naquela noite Teresa perguntou seis vezes se João distribuíra convites: a única coisa que você precisava fazer, João. Ela foi dizendo que não, ele foi dizendo que SIM, talvez. Até que. Saiu.

NO MEU ANIVERSÁRIO de 20 anos eu também arrumei as malas, saí. Às costas a velha vida, à frente, perspectiva. Ah eu achava que. Nos meus vinte anos eu encontrei

meu

guia,

do outro

lado

da rua

e segui.

2 comentários:

Maynara disse...

Textos ótimos e profundos. Com certeza, você acaba de ganhar uma fã do blog. ;)

Nina Vieira disse...

Querido,
parabéns de verdade, adoro visitar seu espaço, adoro pensar e dialogar contigo, assuntos vários e de imaginário coletivo.
Um beijo grande.